Ano foi marcado por mudanças na saúde, com novos parâmetros de hipertensão e febre, novas recomendações para diabetes e obesidade, e mais proteção no SUS

O ano de 2025 trouxe uma onda de atualizações importantes para a saúde brasileira, com ajustes de parâmetros e revisões de condutas que mexeram com a prática clínica e com a orientação ao público. Diretrizes foram revisitadas e protocolos ganharam interpretações mais atuais.
Essas mudanças na saúde influenciam desde decisões do consultório até escolhas cotidianas de cuidado, o que pede atenção tanto dos profissionais quanto do público que segue recomendações médicas.
Reunir as transformações em um só lugar ajuda a enxergar o quadro completo; por isso, preparamos uma retrospectiva com as principais mudanças na saúde em 2025. O panorama facilita entender o que mudou, por que mudou e como essas revisões ajudam a orientar melhor o cuidado em saúde daqui para frente.
Novas diretrizes de hipertensão
Entre as mudanças na saúde em 2025, poucas repercutiram tanto quanto a revisão do que é entendido por pressão arterial saudável, divulgada neste ano em um trabalho conjunto da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Após décadas encarando o clássico “12 por 8” como sinal de normalidade, as novas diretrizes brasileiras passaram a determinar como ideal a pressão abaixo desse valor, ou seja, até 119 por 79 mmHg. Valores acima desse limite merecem atenção, e acima de 14 por 9 (140 por 90 mmHg) já configuram hipertensão.
No entanto, pacientes com pressão 12 por 8 ainda não vão precisar de remédio. A orientação oficial é focar em medidas não medicamentosas, como ajustes no estilo de vida e na alimentação. Se a pressão se mantiver entre 13 por 8 e 14 por 9 após três meses de mudanças na rotina, a medicação passa a ser recomendada. Acima desses valores, em qualquer situação, o medicamento se faz necessário.
Novas definições de febre para crianças
A temperatura que define febre em crianças baixou de 37,8 °C para 37,5 °C, medida na axila (ou 38 °C quando medida por temperatura oral ou retal).
A nova diretriz, publicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, reforça que a febre é um sinal fisiológico, uma resposta natural de defesa, e não uma doença que exige medicação imediata. Portanto, observar hidratação, disposição, alimentação e sinais de alerta passa a ser tão fundamental quanto o próprio termômetro.
Essa atualização reflete o entendimento de que o número não deve ser interpretado sozinho, mas em conjunto com a avaliação do estado geral da criança.
Outra motivação para o ajuste foi reduzir a chamada “febrefobia”, ansiedade que leva muitos pais a buscar atendimento médico ou usar antitérmicos de forma precipitada. O recado é claro: a febre, por si só, não é inimiga, é um aviso de que o organismo está fazendo seu trabalho de proteção.
Atualizações no Programa Nacional de Imunizações (PNI)
Duas novidades no calendário de vacinas se destacam por ampliarem a proteção das crianças: a inclusão da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) e a troca do reforço da meningocócica C pela ACWY.
A primeira mudança envolve uma parceria que permitirá ao Brasil produzir a vacina contra o VSR (uma das principais causas de bronquiolite e pneumonia em bebês), antes totalmente dependente de importações. Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a ter autonomia para fabricar e ofertar o imunizante de forma contínua. Com a aplicação em gestantes a partir da 28ª semana vem a proteção imediata aos recém-nascidos, já que os anticorpos transferidos pela placenta ajudam a defender os bebês no período de maior vulnerabilidade.
A segunda mudança envolve a prevenção das meningites. Em 2025, o SUS trocou o reforço da meningocócica C (MenC), aplicado aos 12 meses, pela vacina meningocócica ACWY. Com isso, a terceira dose do esquema (que já inclui aplicações da MenC aos 3 e 5 meses) passa a proteger contra quatro tipos e contra as formas mais graves de meningite bacteriana. Crianças que já receberam o reforço com MenC não precisam refazer o esquema; aquelas que chegam aos 12 meses sem a dose podem receber diretamente a ACWY.
Com milhares de casos de meningite registrados no país em 2025 — 1.980 casos confirmados apenas entre janeiro e abril, incluindo 168 mortes — a ampliação da cobertura busca reduzir quadros graves, sequelas e óbitos.
Avaliação cardiovascular obrigatória no sobrepeso e na obesidade
A partir de 2025, todos os adultos com sobrepeso ou obesidade devem ter sua condição cardiovascular avaliada e categorizada. Esta nova diretriz em saúde também recomenda que pessoas entre 30 e 79 anos, mesmo sem doença cardiovascular prévia, sejam avaliadas com base no escore Prevent, índice da American Heart Association (AHA) que prevê riscos de infarto, AVC e insuficiência cardíaca em dez anos.
O documento foi elaborado por uma série de entidades — Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Academia Brasileira do Sono (ABS) — e define três categorias principais de risco cardiovascular:
- Risco baixo: pessoas com sobrepeso ou obesidade, IMC abaixo de 40 e menos de 30 anos, sem fatores de risco, além de adultos com escore Prevent de até 5%;
- Risco moderado: quem tem IMC menor que 40 e ao menos um fator de risco, ou escore Prevent entre 5% e 20%;
- Risco alto: pessoas com doenças cardiovasculares confirmadas, risco Prevent igual ou superior a 20%, diabetes tipo 2 há mais de dez anos, doença renal crônica 3b ou escore de cálcio coronário elevado.
Há, ainda, uma quarta categoria especial:
- Alto risco para insuficiência cardíaca: indivíduos com IMC acima de 40, associação de obesidade com diabetes e hipertensão, apneia obstrutiva do sono grave, fibrilação atrial, doença renal crônica 3b, risco Prevent igual ou superior a 20%, doença aterosclerótica estabelecida ou sintomas compatíveis com insuficiência cardíaca.
De modo geral, a diretriz orienta a perda de peso como estratégia terapêutica para melhorar sintomas, função cardíaca e capacidade funcional. O texto também reforça o papel das “canetas emagrecedoras” de liraglutida e semaglutida, visando perda de peso e redução de risco de morte cardiovascular, infarto e AVC. Cada caso tem uma recomendação específica, que deve ser avaliada junto à equipe médica.
Rastreamento do diabetes tipo 2 começa aos 35
Outro alvo de revisão neste ano foi a diretriz de rastreamento e diagnóstico do diabetes tipo 2, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). A principal alteração é a redução da idade inicial para exame: antes recomendado a partir dos 45 anos, o rastreamento agora deve começar aos 35.
A diretriz também destaca a necessidade de avaliar crianças e adolescentes a partir dos 10 anos quando houver excesso de peso, sedentarismo e antecedentes familiares.
Segundo o Atlas da Diabetes, da Federação Internacional da Diabetes (IDF), estima-se que 45% dos adultos com diabetes desconhecem ter a condição. No Brasil, segundo a SBD, esse percentual gira em torno de 30%. O rastreamento precoce busca identificar casos de pré-diabetes e diabetes antes do aparecimento de complicações como doenças cardíacas, renais, perda de visão ou neuropatias.
Implante contraceptivo subdérmico no SUS
A incorporação do implante subdérmico contraceptivo representa uma das novidades mais significativas da saúde no Brasil este ano. Já disponível na rede particular desde 2001, a opção passou a ser ofertada gratuitamente a partir deste ano. A expectativa é de que até 2026 sejam distribuídos 1,8 milhão de dispositivos.
O implante subdérmico atua na prevenção da gravidez por até três anos sem necessidade de intervenções. Após a retirada, a fertilidade retorna rapidamente, e um novo implante pode ser inserido, se desejado. Mulheres em idade fértil, entre 14 e 49 anos, são elegíveis para receber o implante, mas terão prioridade no recebimento as localidades com os maiores índices de vulnerabilidade e de gravidez na adolescência.
Em resumo, as novidades de 2025 na saúde são:
- Hipertensão: Valores entre 12×8 e 14×9 passam a ser classificados como pré-hipertensão; acima disso, já é considerado hipertensão arterial;
- Febre em crianças: A temperatura que define febre em crianças caiu de 37,8 °C para 37,5 °C;
- Vacinas: O Brasil iniciará a produção e oferta da vacina contra VSR e ampliará a proteção da terceira dose do calendário infantil contra meningite;
- Obesidade: Todos os adultos com sobrepeso ou obesidade deverão ter avaliação e estratificação de risco cardiovascular;
- Diabetes: O rastreamento de diabetes tipo 2 agora começa aos 35 anos (antes, 45);
- Métodos contraceptivos: O Implanon, implante subdérmico contraceptivo, passa a ser oferecido gratuitamente pelo SUS.
Se quiser entender com mais profundidade os temas abordados neste texto, vale mergulhar nos conteúdos que já publicamos aqui no blog Saúde da Saúde. Falamos por que a diabetes exige mais atenção do que costuma receber, explicamos como proteger seu bebê da bronquiolite, detalhamos a importância das vacinas no controle de doenças, destrinchamos o que muda na hipertensão em 2025 e trazemos um panorama completo sobre a meningite.
