O que causa a meningite? Quais são os sintomas? Tem cura? Saiba as respostas para essas e outras dúvidas mais buscadas sobre a doença

A meningite é uma condição médica grave que provoca inflamação nas meninges – membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Apesar de ser conhecida, muitas dúvidas ainda cercam a doença: ela é contagiosa? Tem cura? Pode deixar sequelas?
Para esclarecer essas e outras perguntas que estão entre as mais buscadas por pacientes e familiares no Google e em ferramentas de Inteligência Artificial como o ChatGPT, conversamos com Vera Rufeisen, médica infectologista do Hospital Vera Cruz.
O que é meningite e quais são os principais tipos?
Meningite é uma inflamação das meninges – membranas de tecido que revestem e protegem o cérebro e a medula espinhal. “Ela pode ter origem infecciosa, como bactérias, vírus, fungos e parasitas, ou causas não infecciosas, como doenças autoimunes e tumores”, diz Rufeisen.
Os principais tipos incluem:
Meningite bacteriana:
A forma mais grave. “Os agentes mais comuns variam conforme a faixa etária. Em adultos, os principais patógenos são o Streptococcus pneumoniae e o Neisseria meningitidis (meningococo). Em recém-nascidos, destacam-se o Escherichia coli e o Streptococcus agalactiae”, explica a médica.
O tratamento requer antibióticos e, em alguns casos, corticosteroides como dexametasona.
Meningite viral:
Mais comum e geralmente menos grave. “Os enterovírus são os principais causadores. Na maioria das vezes, o tratamento é apenas de suporte (focado nos sintomas e bem-estar do paciente). Mas há exceções, como nas infecções por herpes, em que antivirais são indicados”.
Meningite fúngica:
Menos frequente, acomete principalmente pacientes imunossuprimidos, como pessoas vivendo com HIV/AIDS. O agente mais comum é o Cryptococcus neoformans.
Meningite tuberculosa:
Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, tem evolução lenta e é mais comum em pessoas com imunidade comprometida.
Meningites não infecciosas:
Incluem causas autoimunes, reações a medicamentos e meningite carcinomatosa (relacionada ao câncer).
Quais são os sintomas de meningite em adultos e bebês?
Os sintomas podem variar com a idade. Nos adultos, os mais comuns são:
- Cefaleia (dor de cabeça) intensa;
- Febre;
- Rigidez na nuca;
- Náuseas e vômitos;
- Alterações no estado mental;
- Fotofobia (sensibilidade à luz).
“Manifestações cutâneas, como manchas vermelhas na pele, podem sugerir meningite meningocócica”, destaca a médica.
Em bebês e lactentes (bebê ou criança que está sendo amamentado), o quadro é mais sutil, como destacado a seguir:
- Febre ou hipotermia;
- Irritabilidade;
- Choro inconsolável;
- Letargia;
- Recusa alimentar;
- Abaulamento da moleira.
“Em neonatos, a febre pode não estar presente — às vezes vemos hipotermia como primeiro sinal. Isso exige vigilância extra por parte dos profissionais e cuidadores”, alerta a especialista.
Como é feito o diagnóstico da meningite?
O diagnóstico é diferente entre os tipos de meningite, mas baseia-se na análise do líquor (fluido) obtido por punção lombar (procedimento que coleta uma amostra do líquido cefalorraquidiano (LCR), que envolve o cérebro e a medula espinhal), além de exames microbiológicos, como cultura da amostra retirada do líquor e PCR e, em alguns casos, exames de imagem.
“O reconhecimento rápido e o início precoce do tratamento são fundamentais para reduzir a morbidade e mortalidade, especialmente nas formas bacterianas”, explica a médica infectologista.
Como a meningite é transmitida?
“A meningite bacteriana, especialmente a causada por meningococo, é transmitida por gotículas respiratórias, liberadas ao falar, tossir, espirrar ou por contato próximo e prolongado com portadores”, explica a infectologista.
Locais como creches, dormitórios, escolas e o próprio lar são ambientes propícios à disseminação da doença. Já a meningite viral, embora também possa ser contagiosa, costuma ter transmissão mais branda.
Acesse: Meningite: como se pega?
Existe cura para meningite?
Sim. O tratamento depende da causa, mas existem abordagens eficazes para todas as formas da doença. “Reconhecer rapidamente o quadro e iniciar o tratamento precoce é essencial para evitar complicações graves”, afirma a médica.
O tratamento é feito da seguinte forma:
- Bacteriana: antibióticos e corticosteroides;
- Viral: geralmente suporte clínico; antivirais em casos como herpes;
- Fúngica: antifúngicos intravenosos.
A meningite pode deixar sequelas?
Sim. As meningites, principalmente as bacterianas, podem deixar sequelas importantes. Segundo Rufeisen, “até 30% a 50% dos sobreviventes da meningite bacteriana podem apresentar algum tipo de sequela”.
Entre as principais:
- Perda auditiva neurossensorial;
- Epilepsia;
- Déficits motores ou neurológicos;
- Comprometimento cognitivo;
- Transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade.
As crianças e os lactentes são os mais vulneráveis a sequelas permanentes.
Quais vacinas protegem contra a meningite?
A vacinação é a principal forma de prevenção.
As principais são:
- Vacina meningocócica conjugada quadrivalente (MenACWY);
- Vacina meningocócica do sorogrupo B;
- Vacinas pneumocócicas conjugadas (PCV13, PCV20);
- Vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
“Todas as vacinas citadas, com exceção da meningocócica B, estão disponíveis gratuitamente no SUS”, ressalta a infectologista.
É possível ter meningite mais de uma vez?
“Sim, já que são vários agentes etiológicos responsáveis pelo quadro”, explica. Rufeisen. Ou seja, uma pessoa pode ter meningite viral em um momento e meningite bacteriana em outro. Por isso, manter o esquema vacinal atualizado é essencial para evitar reinfecções.
Leia também: O que é e como se proteger da meningite
