Para dar visibilidade aos profissionais que fazem essas instituições tão complexas funcionarem, mergulhamos na rotina e motivações de uma técnica em enfermagem

Atender pacientes em um hospital envolve uma rede enorme de profissionais. E, na linha de frente, além dos médicos, destacam-se os profissionais de enfermagem.
Entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, existem hoje cerca de 3,2 milhões de profissionais da área devidamente cadastrados no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), sendo que quase 2 milhões são técnicos de enfermagem. Isso mostra, em números, o protagonismo que esses profissionais têm dentro do sistema hospitalar.
O que faz um técnico de enfermagem no ambiente hospitalar?
Cuidado direto
A rotina intensa e bastante desafiadora dos técnicos de enfermagem inclui, principalmente, o cuidado direto com o paciente e assistência às atividades do enfermeiro. Ou seja, o dia começa e termina com foco no bem-estar da pessoa hospitalizada.
É o técnico de enfermagem que:
- Faz administração dos medicamentos prescritos pela equipe médica, nas dosagens e horários necessários para o tratamento do paciente;
- Realiza a aferição e controle frequente dos sinais vitais;
- Ajuda na alimentação, seja por via oral ou por sonda;
- Realiza procedimentos como curativos, sondagens e coletas de material para exames;
- Prepara e acompanha pacientes para exames e cirurgias;
- É responsável pela higiene da pessoa hospitalizada;
- Garante o conforto do paciente, fazendo mudanças de posição, por exemplo.
Cuidado indireto
O funcionamento do ambiente hospitalar também depende de atividades que vão além do cuidado direto e visível com o paciente, e técnicos de enfermagem têm um papel importante na manutenção desse sistema, desempenhando funções como a organização e reposição de materiais hospitalares e os cuidados com biossegurança.
Além da técnica: o amor pelo ato de cuidar
Muitas vezes, uma rotina tão próxima entre o paciente e o técnico de enfermagem pode dar origem a um vínculo emocional e de muita confiança. Oferecendo, portanto, além de conforto físico, conforto psicológico nessa fase de hospitalização – que pode ser tão desafiadora tanto para o paciente quanto para sua família.
A técnica de enfermagem Camila Santos, do Hospital Itamed, conta que sua maior motivação profissional é a possibilidade desse contato humano no seu dia a dia. “Às vezes reclamamos de coisas tão pequenas e aí vejo um paciente lutando contra coisas tão grandiosas, lutando pela vida. Então, ter a oportunidade de ver de perto aquela força e superação me motiva todos os dias e me faz ter uma grande admiração pela minha profissão.”
Desafios da profissão no sistema hospitalar
Trabalhar em um hospital exige, além de conhecimento técnico, equilíbrio emocional para suportar uma rotina intensa e permeada de diversas situações difíceis como épocas de alta demanda. Nesses momentos, Camila comenta que, embora o volume de trabalho aumente consideravelmente, ela lembra que escolheu estar ali e que há vidas dependendo do seu trabalho, mais do que nunca.
“É corrido, mas oferecemos nosso melhor. Precisamos saber que, por mais que a demanda esteja alta, precisamos nos dedicar à profissão. O paciente está num momento delicado, fragilizado, e nós temos que dar um conforto para eles. Precisamos mostrar que estamos aqui para prestar a assistência, com tudo que pode ser feito. Eu deixo tudo lá fora antes de entrar, pois precisamos ser uma rede de apoio a cada paciente.”
Luto: um desafio silencioso
Estar próximo à finitude da vida quase que de forma cotidiana impõe desafios emocionais importantes para os profissionais de saúde. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou que “os profissionais também passam pelo processo de luto, mas faltam espaços para expressarem seus sentimentos e afetações”.
Sobre a perda de pacientes, Camila comenta que lida com essa dor lembrando da importância do seu trabalho nesse momento tão delicado na vida das famílias que assiste. Ela comenta que “a partida é sempre muito difícil, mesmo estando preparada e sabendo da finitude da vida. É um ciclo da vida e a missão está cumprida. O paciente é o amor de alguém, familiar de alguém, então faço o meu melhor, ajudo até no apoio da família, ajudo como posso”.
