A segunda temporada do Anahp Questiona busca responder: entre o ideal e o possível, qual reforma da saúde suplementar precisamos? Com apoio da Bionexo, seguimos reunindo grandes nomes do setor para discutir como melhorar a saúde brasileira.
Neste episódio, Maurício Lopes, CEO da Qualicorp, e Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento, defenderam que a saúde suplementar não vive uma crise, mas sim enfrenta desafios que exigem soluções estruturantes. Segundo Lopes, este é um setor pujante, que movimenta R$ 320 bilhões somente na esfera privada e que não está em crise, mas tem muitos problemas que precisam ser discutidos. Parrini complementa: “não há desenvolvimento se não houver enriquecimento. O Brasil precisa enriquecer”.
Um dos assuntos discutidos foi o incentivo à prevenção e à coordenação do cuidado, o que exige uma lógica de longo prazo e estímulos adequados. Hoje, ciclos curtos de permanência nos planos dificultam esse investimento. “Como vou investir na prevenção da saúde de uma pessoa se o ciclo de permanência dela transita entre 12 e 22 meses?”, questionou Lopes.
A discussão também trouxe a importância de repensar os modelos de remuneração, com propostas como preços decrescentes, coparticipação, contratos com risco compartilhado e triangulação entre usuários, operadoras, médicos e empresas contratantes. “Mesmo que o contrato não seja regido por coparticipação sob risco compartilhado, se um paciente se reinterna em menos de 30 dias, é obrigação do diretor geral de todos os hospitais medir e perguntar o que aconteceu”, destacou Parrini.
O episódio ainda abordou a regulação da incorporação de tecnologias, sugerindo maior transparência e, eventualmente, a criação de uma agência única que avalie impacto clínico e financeiro. E, por fim, discutiu o papel do médico e os desafios da formação profissional no Brasil, com críticas ao modelo atual e à falta de preparo prático para atuar com segurança e eficiência.