Colesterol: vilão ou mocinho?

Embora o colesterol seja uma gordura natural do corpo humano, o assunto ainda traz muitas dúvidas. Veja abaixo o que é verdade e o que é mito sobre o tema

O colesterol é uma gordura natural e extremamente importante para o funcionamento do corpo humano. “Ele participa ativamente da produção de hormônios, da vitamina D e da estrutura das células”, afirma Thiago Scudeler, cardiologista do Centro Especializado em Cardiologia Hospital Alemão Oswaldo Cruz 

Mas como uma gordura tão essencial pode se tornar um problema? 

Quando as taxas de colesterol estão altas, as doenças cardiovasculares podem começar a aparecer por conta do acúmulo da gordura nas paredes das artérias, dificultando o fluxo do sangue. 

“Isso favorece o desenvolvimento de doenças como infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares. O colesterol alto, portanto, não é uma doença por si só, mas um importante fator de risco que precede e contribui para doenças graves”, explica.

E, para que se tenha ideia, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aponta que 14 milhões de brasileiros têm alguma doença cardiovascular e mais de 380 mil morrem por ano em função disso. 

Colesterol bom e colesterol ruim 

O cardiologista comenta que a comunidade médica costuma dividir o colesterol em dois tipos principais: 

  • LDL (Low Density Lipoprotein ou lipoproteína de baixa densidade). Seu trabalho é carregar o colesterol pela corrente sanguínea. No entanto, no meio dessa função, ele  pode acabar acumulando nas artérias e causar entupimentos quando está em níveis altos demais — e por isso é conhecido como o “colesterol ruim”;
  •  HDL (High Density Lipoprotein ou lipoproteína de alta densidade). É o chamado “colesterol bom” por ajudar a limpar o excesso de gordura do sangue. 

“Essa divisão não significa que um seja do bem e outro do mal, mas sim que desempenham papéis diferentes na saúde” enfatiza Scudeler.

O que causa alterações no colesterol?

As alterações nos níveis de colesterol estão bastante relacionadas a hábitos de vida, como:

  • Alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados como salgadinhos, bolachas recheadas, fast food e frituras, que elevam o colesterol ruim e reduzem o bom;
  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool.

O cardiologista comenta que algumas doenças como diabetes e hipotireoidismo também podem desencadear esse desequilíbrio, além de predisposição genética. “Às vezes, mesmo pessoas com hábitos saudáveis têm colesterol alto por causa da herança familiar” diz Scudeler. 

O colesterol alto tem maior prevalência em algum gênero? Homens ou mulheres têm mais propensão a desenvolver?

O médico explica que as mulheres tendem a ter níveis mais altos de HDL antes da menopausa, o que, naturalmente, oferece uma certa proteção cardiovascular, e que os homens geralmente têm risco cardiovascular mais alto mais cedo. 

“Após a menopausa, o perfil das mulheres muda e o risco se iguala ou até supera o dos homens. Mas, na prática, ambos os gêneros precisam estar atentos”, arremata  o cardiologista.

Há formas eficientes de evitar o colesterol alto?

Os bons hábitos tão disseminados são o que, de fato, evita alterações nas taxas de colesterol. Não há segredo: “manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regular, não fumar, moderar o consumo de álcool e cuidar do peso são medidas eficazes”, diz Scudeler. 

O especialista ainda reforça que não se deve confiar apenas em dietas da moda, pílulas milagrosas ou remédios sem prescrição médica. 

“A prevenção é fundamental, por isso é importante realizar exames periodicamente e consultar o médico especialista. Em casos de predisposição genética, só o estilo de vida pode não ser suficiente, e o uso de medicamentos pode ser necessário”.

Hipercolesterolemia: um perigo silencioso

Mesmo com consequências tão graves, o colesterol alto é uma condição extremamente silenciosa, não há sintomas como, por exemplo, uma gripe. Nesse caso, é muito importante fazer exames de sangue de forma periódica e fazer visitas ao médico especialista mesmo sem sentir nada.

Quando o colesterol dá sinais, pode ser por meio de algum evento potencialmente fatal: “pode ser um infarto ou um AVC, o que reforça a importância da prevenção”, diz o cardiologista.

Colesterol alto tem tratamento

Dependendo do risco vascular do paciente, a abordagem pode associar mudanças no estilo de vida e, também, tratamento medicamentoso. Scudeler explica que já existem medicamentos bastante eficientes no combate ao colesterol alto: “as estatinas, ezetimiba e, em alguns casos, medicamentos mais modernos como os inibidores de PCSK9”, exemplifica.

Além disso, o especialista enfatiza que é possível ter bastante qualidade de vida diante do diagnóstico, uma vez que , muitas vezes, os tratamentos envolvem  apenas pequenas mudanças na rotina. 

“Com o colesterol controlado, a pessoa pode viver por décadas com boa saúde, prevenindo doenças graves e mantendo excelente qualidade de vida”, informa.

Recado do cardiologista

Muitas vezes, as pessoas só começam a se preocupar com o colesterol a partir dos 40 ou 50 anos. No entanto, Scudeler reforça que o cuidado com o colesterol deve começar cedo porque o acúmulo de gordura nas artérias (aterosclerose) se inicia ainda na juventude. 

“Fazer exames desde cedo, manter hábitos saudáveis e, quando necessário, iniciar

tratamento, é a melhor forma de garantir uma vida longa e saudável. O colesterol pode ser silencioso, mas a prevenção fala alto. O acompanhamento médico é essencial”, finaliza o cardiologista.

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