No dia 02 de setembro, a Anahp realizou mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, dessa vez em parceria com a BD, empresa global de tecnologia médica que produz e comercializa suprimentos médicos, anticorpos, reagentes, equipamentos e dispositivos para laboratórios e hospitais.
No encontro, o radiologista Gustavo Badan, coordenador médico do setor de Radiologia Mamária do Hospital Santa Catarina, destacou a evolução dos métodos de rastreamento e biópsia mamária. E reforçou que o diagnóstico precoce, associado à técnica correta, é decisivo para salvar vidas e evitar cirurgias desnecessárias.
“Hoje em dia, é quase inconcebível que a gente se faça uma cirurgia mamária sem fazer a biópsia antes, inclusive cirurgias estéticas.” – Gustavo Badan.
Principais pontos:
1. Rastreamento ainda salva vidas
A mamografia continua sendo o principal exame para o rastreamento do câncer de mama. Estudos recentes confirmam que, mesmo com o avanço dos tratamentos sistêmicos, ela reduz a mortalidade em até 34%.
“A mamografia é um exame de baixo custo, altamente disponível” – Gustavo Badan
2. Métodos complementares
- Ultrassonografia pode dobrar a taxa de detecção de casos, passando de 5 para até 9 diagnósticos a cada mil mulheres.
- Tomossíntese (mamografia 3D) aumenta a sensibilidade em até 50% e reduz reconvocações.
- Ressonância magnética detecta até 15 casos por mil, sendo indicada em mulheres de alto risco ou com mamas extremamente densas.
3. Tipos de biópsia
– A PAF (punção aspirativa por agulha fina) perdeu espaço e hoje é restrita a situações específicas, como drenagem de cistos.
– A core biópsia (agulha grossa) segue como método de escolha para nódulos sólidos maiores que 1 cm, oferecendo alta acurácia com boa relação custo-benefício.
4. Potencial terapêutico da VAB
“A biópsia assistida a vácuo (VAB) permite retirar muito mais material, reduz falso-negativos e pode, em alguns casos, substituir a cirurgia”- Gustavo Badan
- Pode evitar cirurgias em casos de nódulos benignos ou lesões papilíferas sem atipias.
- É usada em alguns países até para drenagem de abscessos mamários, acelerando o retorno da mãe à amamentação.
- Em situações selecionadas, permite a retirada total da lesão, substituindo procedimentos cirúrgicos tradicionais.
5. Marcação e precisão
O uso de clipes metálicos para marcar a área biopsiada já é rotina em países como Estados Unidos, mas no Brasil ainda enfrenta barreiras de custo.
“A marcação dá segurança para cirurgias futuras e para o acompanhamento em exames posteriores.” – Gustavo Badan
6. Educação médica
Um dos maiores desafios está na prescrição equivocada. Médicos não especialistas ainda solicitam exames desatualizados, como a PAF para nódulos sólidos.
“Educação médica é a chave” – Gustavo Badan.
Conclusão
A palestra mostrou que a biópsia mamária é hoje um recurso indispensável: aumenta a acurácia diagnóstica, evita procedimentos invasivos e oferece tratamento mais personalizado. O futuro passa por ampliar o acesso às técnicas mais modernas e investir em educação médica para que todas as mulheres recebam o cuidado adequado.
Assista à íntegra do evento aqui: