Jornada Digital | Tecnologia a serviço do cuidado: inovação que transforma a experiência do paciente

Encerrando a programação da Jornada Digital Anahp de junho, o encontro realizado no dia 26 debateu como as tecnologias estão sendo aplicadas de forma estratégica para transformar a experiência de quem busca atendimento em saúde. As discussões abordaram o papel da inteligência artificial, a importância de processos bem definidos, a visão de longo prazo e a necessidade de integração entre os diversos atores do setor.

Participaram do encontro:

  • Ana Vailati – diretora de Marketing e Relacionamento com o Paciente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
  • Eduardo Cordioli – diretor técnico de Obstetrícia do Grupo Santa Joana
  • Graziela Escobar – superintendente de Estratégia e Inteligência de Negócios no A.C.Camargo Cancer Center
  • Moderação: Vitor Ferreira – presidente da ABCIS e CIO do Sabará Hospital Infantil

Confira, a seguir, os principais pontos debatidos.

Tecnologia é meio, não fim: o que transforma é o propósito

Para Ana Vailati, do Oswaldo Cruz, não existe jornada do paciente sem levar em conta também a jornada do médico e do colaborador. A experiência de quem cuida está diretamente ligada aos desfechos clínicos e à percepção do cuidado. Tecnologias devem atuar nos bastidores, eliminando fricções e possibilitando uma jornada fluida.

NA PRÁTICA
Adotar ferramentas digitais que conectem a jornada em todos os pontos de entrada do hospital, desde o pronto-atendimento até o check-up, garantindo continuidade e segurança.

Transformação digital exige clareza sobre o problema

Eduardo Cordioli destacou que tecnologia por si só não transforma — ela potencializa o que já existe. É preciso entender o problema real antes de buscar a solução. Ele propôs os quatro P’s da transformação digital:

  1. Problema – Qual dor estamos resolvendo?
  2. Processo – Onde a tecnologia entra na jornada?
  3. Plataforma – Qual solução usar?
  4. Pessoas – Como engajar equipes e usuários?

NA PRÁTICA
Envolver quem vive o processo na linha de frente e garantir que a tecnologia facilite, e não complique, a vida de todos.

Monitoramento digital com propósito e adesão

Graziela Escobar compartilhou iniciativas do A.C.Camargo que levaram o cuidado além do hospital, com monitoramento remoto de pacientes em imunoterapia e educação digital na atenção primária. O sucesso depende do valor percebido pelo usuário.

NA PRÁTICA
Ensinar o uso, explicar os ganhos e garantir que o paciente sinta o cuidado mesmo à distância, especialmente em jornadas longas como na oncologia.

Inteligência artificial com propósito e empatia

Cordioli apresentou o caso do projeto Madrinha Joana, em que enfermeiras e educadores de saúde atuam lado a lado com gestantes — e que agora conta com uma versão 24h via agente de IA treinado com base nas práticas das madrinhas humanas.

NA PRÁTICA
Treinar IAs generativas com políticas internas e linguagem humanizada para ampliar o alcance do cuidado sem abrir mão do vínculo.

Dados para desfecho, e não apenas para coleta

Os participantes reforçaram a importância dos PROMS (Patient-Reported Outcomes Measures) e PREMS (Patient-Reported Experience Measures) — mas com um alerta: não basta coletar dados, é preciso saber o que fazer com eles.

NA PRÁTICA
Combinar texto livre, análise por IA e acompanhamento ativo para gerar insights relevantes e alimentar estratégias de valor.

Jornada fragmentada prejudica o cuidado — e o sistema

Um dos principais pontos debatidos foi a falta de integração entre operadoras e hospitais, que prejudica a continuidade do cuidado e aumenta custos desnecessários.

NA PRÁTICA
Construir pontes com operadoras, compartilhar indicadores de desfecho e buscar novos modelos que privilegiem a coordenação do cuidado.

Open Health e VBHC: desafios éticos e maturidade do setor

Cordioli fez um alerta sobre o uso de dados de forma prematura ou punitiva, especialmente nos modelos de pagamento por valor (VBHC). Para ele, ainda falta preparo para implantar o Open Health de forma justa.

NA PRÁTICA
Definir critérios claros, envolver especialistas e avançar com transparência e responsabilidade no uso dos dados.

Acesso digital com equidade

Questionados sobre o risco de exclusão digital, os palestrantes foram unânimes: é preciso adaptar a tecnologia ao público, e não o contrário. Ana Vailati enfatizou que o respeito às preferências individuais deve estar no centro da experiência. Já Graziela Escobar destacou que as instituições precisam oferecer suporte contínuo para garantir uma jornada bem-sucedida.

NA PRÁTICA
Manter canais diversos (omnichannel), oferecer suporte para quem precisa e garantir que todos tenham caminhos possíveis de cuidado.

Conclusão

A Jornada Digital mostrou que a tecnologia pode ser aliada poderosa — mas só gera impacto real quando usada com propósito, sensibilidade e integração. O cuidado de verdade segue sendo feito por pessoas, com apoio de dados e ferramentas inteligentes que facilitam o caminho.

Confira os próximos eventos da Anahp e participe!

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