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Interrupção precoce do uso de aspirina nos primeiros meses após infarto não é segura, conclui estudo inédito do Einstein

O Einstein liderou um dos maiores estudos clínicos já realizados no Brasil sobre tratamento pós-infarto agudo do miocárdio. A pesquisa NEO-MINDSET, que acompanhou por 12 meses mais de 3.400 pacientes com síndromes coronarianas agudas, foi um dos destaques do congresso anual da European Society of Cardiology (ESC), em Madrid. Além disso, foi escolhida para publicação no New England Journal of Medicine (NEJM), uma das revistas científicas mais influentes do mundo.

Coordenado pelo Einstein em parceria com o Ministério da Saúde, via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), o estudo avaliou se seria seguro suspender o uso da aspirina após a angioplastia com stent, mantendo apenas um antiplaquetário potente (prasugrel ou ticagrelor). Hoje, o tratamento padrão combina aspirina com outro antiplaquetário — a chamada dupla anti-agregação plaquetária. Porém, como a aspirina pode aumentar o risco de sangramentos, havia dúvidas sobre sua continuidade.

Estudos prévios indicavam que é possível retirar a aspirina após alguns meses, mantendo-se um período inicial de dupla anti-agregação. Mas permanecia incerto se a retirada poderia ser realizada logo após o infarto. Os resultados da pesquisa do Einstein demonstram que, na maioria dos casos, manter a dupla medicação desde o início é mais seguro, reforçando o protocolo tradicional e influenciando práticas médicas no mundo todo.

Os pesquisadores observaram que a retirada precoce da aspirina resultou em uma redução significativa nos sangramentos, com uma incidência de 2,0% no grupo que não utilizou aspirina, em comparação a 4,9% no grupo que manteve a terapia dupla. Por outro lado, a alteração no protocolo padrão não manteve a proteção contra eventos cardiovasculares graves — como infarto, acidente vascular cerebral ou necessidade urgente de nova revascularização — no grupo sem aspirina (7,0% versus 5,5%). Além disso, o número de casos de trombose de stent, uma complicação séria desse tipo de procedimento,pareceu maior entre os pacientes que não receberam aspirina (12 casos contra 4 no grupo controle).

“O artigo confirma que a monoterapia antiplaquetária, ou seja, o não uso da aspirina, reduz sangramentos, mas ainda não alcança a segurança necessária para substituir completamente a estratégia padrão nas primeiras semanas ou meses após o infarto”, explica Pedro Lemos, diretor do programa de cardiologia e pesquisador do Einstein, autor sênior da publicação. O cardiologista destaca que os achados são importantes, no entanto, para garantir cada vez mais protocolos embasados em evidências científicas.

A Academic Research Organization (ARO) do Einstein foi o centro coordenador nacional do projeto, responsável pela condução regulatória, operação do ensaio clínico e análise estatística. O estudo, que envolveu 50 centros hospitalares de diversas regiões do Brasil, contemplou 3.400 pacientes, sendo a maior parte do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A publicação no New England Journal of Medicine e a seleção como destaque no principal congresso de cardiologia do mundo reforçam a maturidade da pesquisa clínica conduzida no Brasil. Trata-se de uma contribuição relevante para a prática médica global, que projeta a cardiologia e a ciência médica brasileira no geral em um cenário de excelência científica internacional. O estudo exemplifica como a pesquisa científica de qualidade influencia positivamente a assistência à saúde, mas também que o rigor necessário para a geração de evidências é contemplado com respeito e relevância”, avalia Luiz Vicente Rizzo, diretor executivo de Pesquisa do Einstein.

A ARO é referência em pesquisa clínica de excelência, com infraestrutura completa e equipes especializadas que garantem rigor metodológico em todas as etapas dos estudos, desde o desenho até a análise estatística e farmacovigilância. Atua em projetos estratégicos privados e públicos, por meio do Proadi-SUS, promove parcerias com indústria, governo e academia, e investe na formação de profissionais, fortalecendo a pesquisa clínica no Brasil com impacto internacional.

Fonte: Einstein Hospital Israelita

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