Evento reuniu especialistas de renome e discutiu nutrição de precisão, proteção neurológica e o papel da inteligência artificial no tratamento de bebês com cardiopatias congênitas, uma das principais causas de morte no período neonatal
O Hospital e Maternidade Santa Joana, referência em alta complexidade, promoveu no último sábado, 21 de junho de 2025, o 2° Simpósio de Cardiologia Perinatal. Realizado em formato virtual, o evento reuniu especialistas de renome internacional nas áreas de cardiologia fetal e cirurgia cardíaca pediátrica.
Para a Dra. Mônica Shimoda, coordenadora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital e Maternidade Santa Joana, o cuidado integral, a comunicação eficiente entre as equipes, as decisões rápidas e precisas, o suporte emocional às famílias e a capacitação contínua dos profissionais são pilares fundamentais para garantir o melhor atendimento às crianças com cardiopatia congênita. “No Santa Joana, contamos com uma Unidade Neonatal Cardiológica que é exclusiva para casos de cardiopatia, além de uma equipe altamente especializada, o que faz toda a diferença no tratamento e contribui para um prognóstico favorável”, comentou a médica.
Já na palestra sobre proteção neurológica no pré-operatório, o Dr. Stefano Pezzato, médico da Unidade de Terapia Intensiva Cardíaca Pediátrica do Children’s National Hospital, de Washington (EUA), destacou que a definição do momento ideal para a realização da cirurgia em paciente cardiopata é essencial para reduzir o risco de complicações neurológicas.
O Simpósio contou também com a participação do Dr. Josef Neu, professor de Pediatria e Neonatologia nos Estados Unidos, reconhecido por sua ampla atuação acadêmica e internacional e por suas pesquisas sobre lesões intestinais em recém-nascidos e nutrição de precisão, além de liderar o Connection Trial – um estudo global para a redução de morbidades em prematuros. O especialista também preside a Fundação IPOKRaTES, organização internacional dedicada a aprimorar o ensino de pós-graduação e promover a educação médica ao redor do mundo. Em sua apresentação destacou a importância da nutrição enteral, especialmente em pacientes com doenças cardíacas. Segundo o especialista, estudos mostram que esse tipo de nutrição ajuda a preservar um ambiente microbiano saudável no intestino, o que contribui para reduzir riscos de inflamações e morbidades neonatais, como enterocolite necrosante e sepse intestinal.
O Prof. Dr. Neu apresentou, ainda, estudos sobre como o uso da inteligência artificial (IA) pode auxiliar no diagnóstico precoce de fatores de risco em recém-nascidos prematuros. Um dos exemplos citados foi o exame oftalmológico para detecção de retinopatia — procedimento invasivo que, com o apoio da IA, pode ser direcionado apenas aos bebês com maior risco. Isso evitaria que a maioria dos pacientes fizesse o exame sem a real necessidade. “Cerca de 90% dos bebês submetidos a esse exame não apresentam a doença, ou seja, são expostos a um procedimento invasivo sem precisar”, explicou o especialista internacional.
Outro ponto de destaque abordado pelo Prof. Dr. Neu foi a nutrição de precisão, uma abordagem personalizada para bebês internados na UTI Neonatal. Essa estratégia considera tanto o ambiente intrauterino quanto as condições atuais do bebê, incluindo fatores como obesidade materna, subnutrição ou supernutrição fetal, uso de antibióticos e alterações no microbioma. Ao respeitar a individualidade de cada paciente e adaptar a alimentação às suas necessidades específicas, é possível reduzir o risco de comorbidades.
Também no eventou foi promovido um painel dedicado à persistência do canal arterial (PCA) em bebês prematuros. O canal arterial é uma conexão vital fetal que, se não fechar espontaneamente no pós-natal (mais comum em bebês prematuros extremos – abaixo de 28 semanas), pode aumentar os riscos de mortalidade e morbidade. O Hospital e Maternidade Santa Joana foi a primeira organização do País a realizar o procedimento de fechamento do canal arterial persistente (PCA) em prematuros abaixo de 1.000g por meio de cateterismo utilizando uma prótese vascular. “Com base na experiência da instituição com o uso do dispositivo, desde 2021, o procedimento contribui na redução do risco de morbidade, tempo de uso do oxigênio, além de ser uma alternativa menos invasiva”, destaca Dr. Salvador Cristóvão, cardiologista intervencionista do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Ainda, participaram das discussões os membros da comissão organizadora do evento, entre eles a Dra. Filomena Bernardes de Mello, neonatologista responsável pela Unidade Neonatal Cardiológica do Hospital e Maternidade Santa Joana; Prof. Dr. José Cicero Stocco Guilhen, cirurgião cardiovascular pediátrico e chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca Pediátrica do Hospital e Maternidade Santa Joana; e a Dra. Marina Zamith, coordenadora da área de Ecocardiografia Fetal e Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Sobre o Hospital e Maternidade Santa Joana
O Hospital e Maternidade Santa Joana é reconhecido como um grande centro especializado nos cuidados com a saúde integral da mulher e do neonato, além de oferecer serviços de alta complexidade para gestações de risco. Referência internacional no atendimento de prematuros de alta complexidade no Brasil, com UTI Neonatal especializada no tratamento de bebês com problemas neurológicos. Além disso, conta com outros quatro protocolos de atendimento voltados para nascimentos pré-termo em suas UTIs Neonatais, dentre eles cirúrgico, cardíaco, prematuro extremo e longa permanência, e UTI Adulto – todas equipadas com o que há de mais avançado no segmento. O Santa Joana também oferece serviços de Medicina Fetal e Centro de Endometriose. Uma das Instituições que mais investem em tecnologia hospitalar e infraestrutura é acreditado pela Joint Commission International (JCI), a mais importante certificação hospitalar do mundo, que atesta a excelência do hospital em segurança do paciente e qualidade do atendimento. Visite o site: www.santajoana.com.br.