Debate clínico contou com a participação de especialistas em Atenção Plena e Neurobiologia
“O que há no cérebro por trás das práticas de mindfulness?”. Essa foi a temática de mais uma edição do Grand Round, tradicional encontro científico realizado pelo Hospital Moinhos de Vento. O evento reuniu especialistas para o debate de práticas complementares para integração à medicina tradicional no tratamento das mais diversas patologias, especialmente as que envolvem saúde mental.
Participaram da discussão clínica, o superintendente médico do Moinhos de Vento, Luiz Antônio Nasi, o neurologista da Instituição, André Palmini, e a pesquisadora e professora da Copenhagen Business School, Letícia Vedolin Sebastião, referência internacional em mindfulness. Na abertura, Dr Nasi destacou a relevância do tema na prática clínica atual.
“Trouxemos esse assunto porque ele vem permeando cada vez mais a prática clínica, unindo a medicina tradicional à complementar. O mindfulness, assim como outras práticas, surge desde os primórdios como recurso para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida”, afirmou.
Ao longo da apresentação, Letícia apresentou um panorama histórico e científico do mindfulness, prática definida por Jon Kabat-Zinn – membro fundador do Centro Zen de Cambridge e grande pesquisador da temática – como “a consciência que surge quando se presta atenção no momento presente, sem julgamentos”. Segundo a professora, exercícios de respiração, meditação, movimento consciente e yoga podem promover autorregulação emocional e redução do estresse.
“As práticas de mindfulness funcionam como um treino da mente, comparável ao exercício físico para o corpo. Ao nos ancorarmos no momento presente, aprendemos a responder em vez de apenas reagir às situações”, destacou.
Entre as evidências apresentadas, a especialista também mostrou resultados de pesquisas em escolas, empresas, universidades e hospitais, que apontam benefícios em ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, dor crônica e doenças autoimunes. Outro exemplo exibido no debate foi uma metanálise com mais de mil profissionais de saúde, que demonstrou redução da dor e do estresse com intervenções baseadas na prática de meditação. “As intervenções mais estudadas incluem redução de estresse, prevenção de recaídas em depressão, terapia cognitiva e treinamentos voltados ao cultivo da compaixão”, acrescentou. Ao final da apresentação, Letícia conduziu uma prática de mindfulness com os participantes do evento.
Na visão da neurobiologia, Dr. Palmini abordou os mecanismos cerebrais relacionados às práticas de atenção plena. Ele explicou que a mente humana frequentemente divaga, deslocando-se para lembranças do passado ou projeções do futuro, o que está associado a níveis mais baixos de felicidade.
“Um estudo científico mostrou três achados importantes: a mente das pessoas divaga com frequência, independentemente da atividade; elas são menos felizes quando isso ocorre; e o conteúdo dos pensamentos é um preditor de felicidade mais forte do que a própria atividade desempenhada”, ressaltou.
O especialista destacou que a meditação, elemento central do mindfulness, reduz a atividade da chamada “rede neural padrão”, ligada a pensamentos automáticos e ruminativos. “A essência da neurobiologia do mindfulness está em treinar a atenção para o momento presente, desativando essa rede e promovendo um estado de calma que ajuda no tratamento de ansiedade e depressão”, finalizou o neurologista.
Fonte: Hospital Moinhos de Vento