Com atuação em 87 municípios de pequeno porte em 11 estados, Hospital lidera a expansão de iniciativa que promove reorganização da atenção primária, planejamento regional e qualificação de mais de 2 milhões de atendimentos no país
Criado com o intuito de apoiar a reorganização das redes regionais de serviços de saúde em municípios de pequeno porte, o Projeto Saúde Redes entra em nova fase de expansão no triênio 2024–2026, ampliando seu alcance para 24 regiões de saúde em todo o país e impactando diretamente mais de 2 milhões de pessoas usuárias do SUS. A iniciativa é conduzida de forma colaborativa pelo Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital Sírio-Libanês, como parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).
Com foco em municípios com até 40 mil habitantes, o projeto oferece apoio técnico, metodológico e formativo para gestores públicos, trabalhadores da saúde e representantes regionais, promovendo a qualificação da atenção primária, o fortalecimento da governança regional e a reorganização da oferta de serviços com base nas reais necessidades da população. Nesta fase, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz está presente em 12 regiões de saúde, que somam 87 municípios distribuídos por 12 estados brasileiros das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
“Essa é uma iniciativa que vai muito além de uma consultoria ou formação tradicional. O Saúde Redes é uma metodologia de reorganização do cuidado, construída de baixo para cima, a partir das vivências e necessidades identificadas pelos próprios trabalhadores das redes locais. É o SUS se repensando a partir do território”, afirma Wilma Madeira, Gerente de Projetos de Responsabilidade Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Diagnóstico participativo e planejamento ascendente
O projeto é estruturado em três grandes fases ao longo do triênio 2024–2026: diagnóstico participativo e planejamento, implementação e, por fim, monitoramento e avaliação. A primeira fase foi iniciada ainda no triênio anterior, em regiões-piloto, e deu origem à atual expansão. Neste ano o projeto avançou para novas regiões do país, que agora passam pela etapa inicial de diagnóstico, construção de planos operativos e definição de prioridades locais. A expectativa é que as ações planejadas comecem a ser implementadas já no segundo semestre de 2025, com apoio técnico das equipes do projeto. Em 2026, o foco será a avaliação dos resultados e a consolidação da governança local.
Neste momento, as atividades em campo têm sido marcadas por oficinas municipais que reúnem todos os profissionais da rede de saúde local: de médicos a motoristas, da equipe administrativa a secretários de saúde. Nesses encontros, os trabalhadores revisam seus processos de trabalho, realizam a territorialização com estratificação de risco da população e propõem mudanças em suas rotinas de cuidado com base nas prioridades identificadas no território.
Além disso, os municípios constroem coletivamente planos operativos locais e regionais, organizados em torno de linhas de cuidado prioritárias. No triênio anterior, por exemplo, algumas regiões priorizaram a saúde mental, o que resultou na reestruturação de redes psicossociais e até na contratação de profissionais especializados por meio de pactuações intermunicipais.
“Os relatos que recebemos dos territórios mostram o impacto prático da proposta: agentes comunitários que passaram a visitar famílias com maior risco primeiro; municípios que evitam abrir serviços redundantes ao fortalecer equipamentos já existentes em cidades vizinhas; equipes que agora conseguem identificar com mais clareza os principais vazios assistenciais da região”, explica Wilma.
Metodologia própria e ferramentas de gestão
A atuação é sustentada por três pilares fundamentais: planejamento ascendente, governança colaborativa e educação permanente. O projeto também introduz ferramentas práticas, como painéis de monitoramento regional, instrumentos de planejamento estratégico, e metodologias ativas que incentivam a reflexão crítica e a aprendizagem entre pares.
Outro diferencial é a criação de Grupos de Trabalho Regionais (GTs) compostos por gestores municipais, técnicos da atenção primária e especializada, representantes estaduais e do Ministério da Saúde. Em algumas regiões, esses grupos se transformaram em câmaras técnicas permanentes, institucionalizadas pelos próprios municípios após a vivência do projeto.
“Essa continuidade e apropriação local são fundamentais. Queremos sair e deixar uma rede que continua se organizando por conta própria, com base nos conhecimentos e articulações que o projeto ajudou a estruturar”, comenta a Gerente de Projetos.
Realidade desafiadora e atuação customizada
Entre os principais desafios enfrentados nas regiões atendidas, estão a dificuldade de acesso geográfico, a fragmentação da comunicação entre os níveis de atenção, a baixa cobertura de serviços especializados e, em alguns casos, a renovação total de secretários municipais de saúde a cada ciclo eleitoral. Para contornar isso, o projeto aposta na capilaridade das ações formativas e na customização da metodologia, adaptando-se a contextos com barreiras geográficas extremas, como os da Amazônia Legal, e a perfis diversos, como comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.
“Estamos falando de lugares em que o agente de saúde precisa andar a cavalo por dias ou usar barco para acessar seu território. E é exatamente por isso que o Saúde Redes se faz necessário: para garantir que, mesmo nesses contextos, a lógica do cuidado em saúde seja estruturada e funcione em rede”, afirma Wilma.
Expansão com propósito
Ao todo, as 12 regiões coordenadas pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz incluem municípios como Juara (MT), Salgueiro (PE), Açu (RN), Ibotirama (BA), Santa Fé do Sul (SP), Moaná (PA), Oiapoque (AP), Nossa Senhora da Glória (SE), Três Rios (RJ), Uruçuí (PI), Corumbá (MS) e Juruá e Tarauacá (AC). A população coberta por essas ações ultrapassa os 2,1 milhões de habitantes, com mais de 2.000 estabelecimentos de saúde mapeados nas regiões coordenadas pela instituição até o momento.
Para compartilhar a metodologia e inspirar outras regiões, o Conasems lançou durante o Congresso do Conasems 2025 um manual técnico digital, produzido em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo cruz e o Hospital Sírio-Libanês, e um documentário com experiências reais de regiões atendidas no ciclo anterior. A proposta é disseminar o modelo como referência nacional para a reorganização das redes regionais, principalmente em localidades de pequeno porte.
“O Saúde Redes é um projeto de fortalecimento do SUS profundo, silencioso e potente. Ele forma redes de cuidado e de governança em territórios onde, muitas vezes, essas estruturas nunca existiram de forma integrada. E é justamente ali que o SUS mais precisa se fortalecer”, conclui Wilma.
Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz