Nesta terça-feira (16), a Anahp promoveu mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, dessa vez em parceria com a Clicknurse, um marketplace da enfermagem que conecta profissionais validados com unidades de saúde em todo o Brasil.
O encontro reuniu lideranças do setor para debater como propósito, bem-estar, performance e tecnologia podem (e devem) caminhar juntos em um cenário marcado por escassez de profissionais, sobrecarga assistencial e mudanças profundas nas relações de trabalho.
Participantes:
João Hugo, CEO da Clicknurse
Sara Xavier, diretora de Enfermagem da Clicknurse
Marcela Lemos, Head assistencial da VisionOne SP
O debate mostrou que a evolução da enfermagem passa menos por soluções isoladas e mais por modelos estruturados, capazes de alinhar cuidado ao paciente, sustentabilidade operacional e qualidade de vida para os profissionais.
Veja, a seguir, os principais pontos.
Um novo contexto para a enfermagem – desafios que se acumulam
Entre os principais desafios enfrentados pela enfermagem nos últimos anos, agravados pela pandemia e ainda presentes no dia a dia das instituições, estão:
- escassez de profissionais qualificados;
- aumento da sobrecarga física e emocional;
- dificuldade de fechar escalas completas;
- modelos de trabalho pouco flexíveis;
- risco crescente de impacto direto na assistência.
O setor precisa reconhecer que o problema é estrutural e exige novas formas de organizar o trabalho e valorizar o profissional.
“Quando falta profissional, a consequência aparece direto na assistência. A escala não fecha e quem sente isso é o paciente” — João Hugo
Clicknurse: tecnologia como meio para reconectar propósito e performance
A discussão avançou para a proposta da Clicknurse como uma plataforma que conecta profissionais de enfermagem validados a unidades de saúde, trazendo mais flexibilidade, previsibilidade e transparência à gestão de pessoas. O modelo busca equilibrar dois objetivos que historicamente entraram em tensão no setor:
- Instituições: garantir escala, continuidade do cuidado e qualidade assistencial;
- Profissionais: oferecer autonomia, escolha e melhores condições de trabalho.
“A tecnologia precisa ser vista como algo que contribui e aplica valor para a operação da instituição” — João Hugo
Propósito, bem-estar e qualidade assistencial
A evolução da assistência de forma sustentável passa, necessariamente, pelo bem-estar do profissional de enfermagem. Sem condições adequadas de trabalho, reconhecimento e segurança, não há tecnologia capaz de sustentar a qualidade do cuidado entregue ao paciente.
Entre os fatores determinantes para uma assistência segura e consistente, destacam-se:
- a segurança técnica e jurídica;
- a validação rigorosa dos profissionais;
- o investimento em formação contínua e atualização;
- a redução da sobrecarga física e emocional.
“Quando o profissional está sobrecarregado, a qualidade da assistência é a primeira a sentir” — Sara Xavier
A visão de quem está na ponta: o caso VisionOne
A gestão assistencial no dia a dia lida com escalas instáveis, pressão operacional constante e risco real de impacto na continuidade do atendimento. Em determinados momentos, a dificuldade de reposição de profissionais chega a colocar em risco a própria operação das unidades.
A adoção de modelos mais flexíveis de gestão de pessoas mostrou-se decisiva para enfrentar períodos críticos, garantindo a manutenção das escalas e da assistência mesmo em cenários de alta demanda.
“Em momentos críticos, a plataforma ajudou a manter a escala e evitar a interrupção do atendimento” — Marcela Lemos
Os principais ganhos observados pela VisionOne foram:
- maior previsibilidade na composição das escalas;
- redução do risco de interrupção de atendimentos;
- mais agilidade na reposição de profissionais;
- manutenção da qualidade assistencial mesmo em picos de demanda.
Flexibilidade com responsabilidade: limites e aprendizados
Flexibilidade não significa ausência de regras. Para funcionar de forma sustentável, exige gestão clara, comunicação consistente e critérios bem definidos.
Entre os principais aprendizados destacados, estão:
- a necessidade de equilibrar horários flexíveis com cobertura assistencial completa;
- o cuidado para não criar exceções que comprometam a escala;
- a importância de alinhar expectativas entre profissionais e instituição.
Novos modelos de trabalho só se sustentam no longo prazo quando vêm acompanhados de governança, garantindo previsibilidade, segurança assistencial e equilíbrio entre autonomia e responsabilidade.
“Flexibilidade ajuda, mas precisa ter regra. Se não tiver combinado claro, a escala não fecha” — Marcela Lemos
Tecnologia como aliada da gestão e do cuidado
A tecnologia não substitui a gestão — ela a qualifica. No caso da enfermagem, ferramentas digitais permitem:
- mapear melhor a disponibilidade de profissionais;
- responder mais rapidamente a ausências e picos de demanda;
- reduzir improvisos na montagem de escalas;
- dar mais autonomia ao profissional, sem perder controle assistencial.
“O desafio não é só preencher a escala, mas garantir que o profissional tenha o perfil certo para aquele serviço” — Sara Xavier
Principais conclusões:
O Café da Manhã com a Clicknurse reforçou que a evolução da enfermagem passa por um novo pacto entre instituições, profissionais e tecnologia.
Modelos que combinam flexibilidade, segurança, propósito e gestão estruturada mostram que é possível melhorar a performance operacional sem abrir mão do bem-estar e da qualidade do cuidado.
A mensagem é que o futuro da enfermagem será mais humano, mais tecnológico e mais equilibrado — desde que o profissional esteja no centro das decisões.
Assista ao evento na íntegra: