Café da Manhã | Eficiência clínica e sustentabilidade no uso do acesso vascular

Na última terça-feira (22), a Anahp promoveu mais uma edição do seu Café da Manhã, desta vez em parceria com a BD, empresa global de tecnologia médica. O evento reuniu dois especialistas de referência nacional para debater os aspectos clínicos e econômicos da jornada de pacientes com indicação de acesso vascular.

Luciano Azevedo, médico intensivista e pesquisador do Einstein Hospital Israelita, e Omar Mejia, cirurgião cardiovascular e coordenador da Unidade Cirúrgica de Qualidade e Segurança do InCor/FMUSP, abordaram desde critérios técnicos para a escolha e manutenção dos dispositivos até o impacto das complicações no custo hospitalar e na sustentabilidade do sistema de saúde.

Confira, a seguir, os principais pontos:

A escolha do tipo de acesso venoso deve considerar múltiplos fatores, como condição clínica, tempo previsto de uso, perfil anatômico e preferências da pessoa atendida. Uma decisão equivocada pode gerar complicações graves, custos elevados e piora nos desfechos.

“Se você usar um cateter inadequado, você aumenta o risco de trombose, de infecção e, eventualmente, acaba perdendo aquele vaso para um próximo acesso.”
Luciano Azevedo

Na prática: avaliar cuidadosamente o quadro clínico, o tempo de internação e o tipo de medicação. Consultar diretrizes como o guideline de Michigan e discutir em equipe a indicação mais segura e eficaz.

Tão importante quanto a escolha do cateter ideal é sua remoção no momento oportuno. Manter acessos sem necessidade, especialmente em unidades críticas, amplia o risco de infecção e trombose sem trazer benefício clínico.

“O paciente está extubado, não está mais em uso de drogas vasoativas, mas continua com cateter central por dias. Isso aumenta o risco de complicações.”
Luciano Azevedo

Na prática: revisar periodicamente a necessidade do cateter, especialmente após estabilização clínica e desmame de suporte intensivo.

Protocolos bem implementados e equipes treinadas ajudam a prevenir complicações mecânicas, infecciosas e trombóticas associadas ao uso prolongado de acessos.

“No InCor, a gente tinha 11% de infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter. Com a implantação do checklist, isso caiu praticamente a zero”
Omar Mejia

Na prática: estabelecer rotinas estruturadas e padronizar a avaliação pré e pós-inserção.

Complicações com cateteres elevam significativamente o custo da internação. Prevenção e boas práticas geram economia direta e melhor utilização de recursos.

“Quando você tem uma complicação infecciosa relacionada ao cateter, o paciente interna de novo, usa antibiótico, eventualmente vai para UTI. Isso tem um custo enorme.”
Luciano Azevedo

Na prática: priorizar práticas baseadas em evidência que reduzam permanência e readmissões, como parte da estratégia de sustentabilidade.

A redução da mortalidade e do tempo de internação depende de melhorias nos processos assistenciais e na adesão a protocolos. Sem isso, resultados positivos não se sustentam ao longo do tempo.

“O processo é mais importante que o resultado. O resultado vem naturalmente se o processo for bem feito.”
Omar Mejia

Na prática: medir, acompanhar e aperfeiçoar continuamente os processos-chave, como tempo de extubação e permanência na UTI.

Mesmo com protocolos estabelecidos, muitos hospitais não alcançam boa adesão. A mudança cultural exige monitoramento ativo, capacitação e apoio institucional.

“Fizemos um monte de reuniões, criamos os protocolos. Quando fomos medir, menos de 25% das ações estavam sendo realizadas. O problema era adesão.”
Omar Mejia

Na prática: utilizar plataformas digitais para registrar ações e reforçar o compromisso de toda a equipe com a execução.

Modelos de pagamento baseados em desfecho precisam levar em conta a complexidade clínica. Bons resultados em pacientes de alto risco devem ser valorizados de forma diferenciada.

“Não dá pra pagar a mesma coisa por um bom resultado em um paciente de baixo risco e em um de alto risco. São complexidades diferentes.”
Omar Mejia

Na prática: incluir variáveis clínicas e prognósticas nos modelos de remuneração por performance.

A implementação de tecnologias e dispositivos que apoiem a segurança e eficiência clínica depende de um ecossistema integrado entre hospitais, academia e indústria.

“A ciência da implementação é o futuro. Se a gente não trabalhar com a indústria, não vai conseguir fazer isso acontecer.”
Omar Mejia

“A academia consegue fazer pesquisa, mas precisa do suporte da indústria para viabilizar.”
Luciano Azevedo

Na prática: construir projetos conjuntos que promovam inovação com impacto clínico, operacional e econômico.

Conclusão

A excelência na gestão de acessos vasculares combina conhecimento técnico, decisões clínicas bem embasadas e processos operacionais padronizados. Com o apoio de tecnologias seguras e dispositivos adequados ao perfil de cada paciente, é possível melhorar desfechos, reduzir complicações e fortalecer a sustentabilidade hospitalar. Mais do que evitar riscos, trata-se de gerar valor em toda a jornada de cuidado.

Assista ao evento na íntegra:

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