Nesta terça-feira (11), a Anahp promoveu mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, em parceria com a Ekantika Saúde, para discutir um dos temas mais promissores da transformação do sistema de saúde brasileiro: a pesquisa clínica como vetor de valor, sustentabilidade e inovação.
O encontro reuniu representantes da indústria, hospitais, startups e especialistas em políticas públicas para debater como o novo marco legal da pesquisa clínica pode impulsionar o País a um novo patamar de competitividade científica e assistencial.
Participantes:
- Nelson Teich, médico, ex-ministro da Saúde e advisor da Ekantika Saúde
- Erika Rufino, diretora de Assuntos Regulatórios da Johnson & Johnson Innovative Medicine
- Hélio Osmo, CEO da Science & Strategy
- Karlyse Claudino Belli, Chief of Business & Data Officer da iHealth
- Guilherme Sakajiri, diretor-executivo da ABSS
- Rodrigo Sato, diretor-executivo da Ekantika Saúde e moderador do encontro
Confira, a seguir, os principais pontos.
Da lei à prática: o Brasil no mapa global da pesquisa
Os debatedores destacaram que a nova Lei de Pesquisa Clínica representa um avanço histórico ao trazer padronização internacional, previsibilidade sanitária e segurança jurídica.
Insight
Aprovação da lei foi um marco, mas o impacto real virá quando eficiência, capacitação e governança caminharem juntas
O desafio agora é transformar o potencial regulatório em realidade prática para ampliar a participação do Brasil em estudos de fase 1 e 2, atrair investimentos e garantir que os hospitais estejam prontos para integrar a agenda da inovação global.
Pesquisa clínica como estratégia e fonte de sustentabilidade
A pesquisa clínica foi tratada como investimento estratégico e nova fonte de receita para os hospitais. Os debatedores reforçaram que o tema deve sair da esfera científica e entrar no plano de negócios das instituições, com modelos sustentáveis, governança robusta e visão de longo prazo.
Insight
Os hospitais não devem fazer pesquisa apenas por reputação, mas por sustentabilidade — é uma atividade que pode e deve gerar valor financeiro e institucional
Para isso, é essencial:
• Estruturar unidades de pesquisa com processos profissionais e metas claras
• Planejar a operação com indicadores de custo, eficiência e retorno
• Integrar núcleos de pesquisa à gestão e à estratégia corporativa
• Adotar boas práticas de compliance e transparência em toda a cadeia
A pesquisa clínica, quando bem organizada, atrai recursos, retém talentos e fortalece o posicionamento institucional dos hospitais, transformando conhecimento em ativo econômico.
Cultura e valor: o impacto institucional da pesquisa
Durante o debate, a pesquisa clínica foi tratada como motor de transformação cultural. Onde há pesquisa, há melhor cuidado, pensamento crítico e cultura de dados.
Insight
A pesquisa cria uma mentalidade de inovação, eficiência e aprendizado contínuo
Hospitais com programas estruturados atraem profissionais de alto nível, consolidam parcerias e se tornam polos de referência, ampliando o valor entregue a pacientes, à comunidade e ao sistema de saúde.
Inovação aberta e colaboração
A nova fronteira da pesquisa não pertence mais apenas às grandes farmacêuticas. Ela nasce da inovação aberta, que conecta governos, universidades, startups e hospitais em um mesmo ecossistema.
Insight
Ninguém mais inova sozinho. A saúde precisa de alianças inteligentes e objetivos compartilhados
O modelo, já adotado em países como Israel e Coreia do Sul, pode posicionar o Brasil entre os principais polos de ciência aplicada, desde que haja infraestrutura, continuidade e investimento público-privado.
Startups, dados e novas fronteiras tecnológicas
As startups de saúde foram apresentadas como elos fundamentais entre pesquisa, tecnologia e dados do mundo real (RWD). Plataformas digitais e inteligência artificial ajudam a localizar pacientes, acelerar estudos e reduzir custos operacionais.
Insight
O desafio é construir um ambiente onde a inovação científica seja sustentável, escalável e conectada à prática assistencial
Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta obstáculos como funding restrito, ciclos longos de validação e baixa densidade de empresas focadas em biotecnologia.
Educação e infraestrutura: o alicerce da mudança
Os participantes destacaram o gargalo estrutural e cultural. O Brasil precisa formar mais pesquisadores, investir em infraestrutura científica e criar uma cultura de valorização da evidência.
Insight
O Brasil ainda comemora promessas mais do que entregas, mas é hora de transformar intenção em execução
Experiências internacionais mostram que investimento contínuo em ciência pode mudar o patamar de um país em apenas uma geração; e a pesquisa clínica é uma das portas para essa virada.
Aprendizados do debate
- A pesquisa clínica é estratégica para a sustentabilidade e a competitividade da saúde brasileira
- Hospitais podem transformar pesquisa em fonte de receita e valor institucional
- Governança, profissionalização e compliance são pilares de credibilidade
- Parcerias e inovação aberta impulsionam o novo ecossistema de pesquisa
- Educação, infraestrutura e cultura científica sustentam o avanço
Assista à integra do evento: