Café da Manhã | Governança em IA: segurança, método e responsabilidade na adoção da inteligência artificial em saúde

No dia 28 de outubro, a Anahp promoveu mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, desta vez em parceria com a FOLKS – consultoria especializada em saúde digital. O encontro reuniu especialistas para discutir como a governança em inteligência artificial pode garantir o uso ético, seguro e sustentável das novas tecnologias na saúde.

Participantes:

  • Claudio Giulliano, CEO da FOLKS
  • Luiz Virgínio, head de Transformação e Inovação da FOLKS
  • Mônica Pugliese, médica especialista em Inovação e Transformação Digital da Rede D’Or São Luiz
  • Mauricio Craveiro, gerente de Vendas de Healthcare e Life Sciences do Google Cloud

O debate mostrou que o avanço da IA no setor depende menos de ferramentas e mais de liderança, método e responsabilidade – pilares essenciais para transformar inovação em valor real para pacientes, profissionais e instituições.

Governança como base da transformação

A IA vem se consolidando como o motor da próxima onda de inovação em saúde, mas o avanço exige método e liderança. Governar é definir quem decide, como decide e com quais responsabilidades, garantindo rastreabilidade, transparência e ética na adoção tecnológica.

“Processos, pessoas e, então, tecnologia.” – Claudio Giulliano

Os participantes reforçaram que a maioria das instituições ainda não possui políticas estruturadas de IA. Pesquisa recente mostrou que apenas 4% dos hospitais brasileiros têm comitês ou normas específicas sobre o tema.

Maturidade digital e uso responsável

O Índice de Maturidade Digital em Saúde (DMIH) revelou que os hospitais Anahp atingem média de 56 pontos, acima da média nacional (46). O equilíbrio entre tecnologia e governança foi apontado como o fator que mais diferencia essas instituições.

Principais pilares de maturidade apresentados:

  • Governança e estratégia digital
  • Gestão de dados e segurança
  • Qualidade dos projetos e compliance
  • Pessoas, cultura e adoção real

“Não é sobre o hype da IA, mas sobre usá-la de forma responsável e eficiente.” – Luiz Virgínio

Segurança da informação e privacidade de dados

A governança de IA começa pela segurança. Os dados de saúde podem valer até 50 vezes mais que os bancários, o que exige investimento contínuo em cibersegurança e cultura de proteção da informação.

“Não se deve esperar o problema aparecer na mídia para se proteger.” – Mauricio Craveiro

O uso da IA também transforma o ciclo dos dados e aumenta a necessidade de controle sobre anonimização, consentimento e acesso.

“A segurança da informação é uma camada complexa e vital. E, na IA, ela se multiplica.” – Mônica Pugliese

Critérios para adoção e escolha de parceiros

A seleção de soluções de IA requer olhar multidisciplinar e critérios de conformidade.
Entre os principais cuidados:

  • Avaliar fornecedores com base em frameworks reconhecidos (como CHAI e HIMSS)
  • Exigir domínio de métricas como o F1 Score, que mede o desempenho de algoritmos
  • Verificar políticas de LGPD, segurança e código de conduta
  • Envolver TI, jurídico, compliance e negócio na decisão

“Antes de avaliar o fornecedor, é preciso definir o que a instituição entende como uso adequado da IA.” – Mônica Pugliese

Do hype à adoção consciente

O entusiasmo com a IA precisa ser equilibrado com propósito. Muitos problemas operacionais ainda se resolvem com ajustes de processo, e não com algoritmos complexos.

“Nem todo problema precisa ser resolvido com IA — às vezes é só um parâmetro mal configurado.” – Claudio Giulliano

A regulação e a responsabilidade compartilhada também foram destaques:

  • Hospitais são responsáveis pelo serviço.
  • Desenvolvedores, pelo software.
  • Médicos, pelo cuidado e pelas decisões clínicas.

Elementos da governança de IA (CHAI + Joint Commission)

A boa governança da inteligência artificial em saúde se baseia em princípios que combinam ética, transparência e responsabilidade compartilhada:

  • Propósito claro – a IA deve resolver um problema real e relevante para pacientes e profissionais.
  • Qualidade dos dados – uso de bases confiáveis, rastreáveis e continuamente auditadas.
  • Transparência algorítmica – registro das decisões automatizadas e explicabilidade dos modelos.
  • Supervisão humana – decisões clínicas nunca devem ser totalmente delegadas à máquina.
  • Segurança e privacidade – proteção de dados pessoais e aderência às normas da LGPD.
  • Equidade e não discriminação – prevenção de vieses e impactos desiguais em grupos populacionais.
  • Responsabilidade contínua – revisão periódica de resultados, riscos e desempenho dos modelos.

Conclusão

O Café da Manhã com a FOLKS mostrou que a governança é o elo entre inovação e segurança na era da inteligência artificial. Mais do que dominar tecnologias, as instituições precisam estruturar processos, capacitar equipes e adotar frameworks sólidos, para transformar o potencial da IA em valor real — com ética, transparência e responsabilidade.

Assista ao evento na íntegra:

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