Café da Manhã | Interoperabilidade: o elo entre eficiência, inovação e cuidado em saúde

Nesta terça-feira (30), a Anahp promoveu mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, desta vez em parceria com a Sisqualis, empresa especializada em interoperabilidade de dados clínicos com mais de dez anos de atuação no setor público e privado. O encontro reuniu:

  • Cícero Baldin, coordenador médico da emergência do Hospital Mãe de Deus
  • Daniel Moreira, coordenador de Inovação do Hospital São Lucas da PUCRS
  • Guilherme Barros, CEO da Sisqualis

Os participantes discutiram como a integração de dados pode transformar a gestão em saúde, promovendo mais eficiência, inovação e qualidade no cuidado.

Interoperabilidade como motor de eficiência

A interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas “conversarem” entre si, garantindo que informações clínicas circulem entre hospitais, operadoras e serviços públicos. Isso reduz redundâncias, evita repetição de exames, aumenta a segurança do paciente e melhora a tomada de decisão clínica.

“É o sonho de todo emergencista chegar na sala de atendimento e já ter os dados completos do paciente à disposição” – Cícero Baldin

Governança, legislação e segurança dos dados

A evolução regulatória no Brasil, da portaria de 2011 às regras atuais de LGPD e telemedicina, dá segurança para a integração. O termo de consentimento unificado entre hospitais foi um avanço essencial.

“Antes havia dúvidas sobre o que era permitido; hoje a LGPD dá clareza e protege tanto pacientes quanto instituições” – Guilherme Barros

Outro ponto sensível foi a preocupação com privacidade e riscos de vazamento. A Sisqualis enfatizou que os dados permanecem sob governança do hospital, e não da empresa.

Casos práticos e projetos em andamento

Essas soluções se materializam no Connect Saúde, projeto em Porto Alegre (RS) que integra dados clínicos entre hospitais (PUCRS, Mãe de Deus, Ernesto Dornelles) e a Unimed Porto Alegre. O piloto iniciou em 2021 e, desde agosto de 2024, está em operação assistida. A expectativa é ampliar o acesso aos pacientes até o fim de 2025.

Casos de uso já identificados:

  • Redução de exames repetidos e maior segurança em emergências.
  • Monitoramento de pacientes com histórico de alergias, anticoagulantes e cirurgias prévias.
  • Detecção de uso abusivo de opioides, com impacto em saúde pública.

Resistências institucionais e como foram superadas

Apesar dos benefícios, a interoperabilidade enfrenta resistências porque hospitais temem perder governança dos dados ou expor fragilidades. O Connect Saúde mostrou que essas barreiras podem ser superadas com:

  • Confiança construída em ecossistema (Tecnopuc/Biohub).
  • Governança clara, com consentimento unificado.
  • Controle local dos dados, que permanecem nas bases dos hospitais.
  • Acordo com a operadora, para que a integração seja centrada no paciente, e não em auditorias de produção.

Desafios e engajamento multidisciplinar

A implementação do Connect Saúde exigiu grupos de trabalho (GTs) envolvendo corpo clínico, TI, jurídico e governança, para definir parâmetros técnicos, assistenciais e legais. O engajamento da equipe médica foi decisivo para validar o uso real dos dados.

“Tecnologia sozinha não faz nada. Sem engajamento, as soluções morrem dentro do hospital” – Daniel Moreira

Inovação, ecossistema e próximos passos

A interoperabilidade não depende apenas de decretos do governo, mas pode avançar por meio de “bolhas” de integração que futuramente se conectem em nível nacional. O uso de padrões internacionais (HL7, FHIR) e de novas tecnologias como inteligência artificial e LLMs foi apontado como caminho para estruturar dados não padronizados no Connect Saúde.

O futuro inclui:

  • Expansão do Connect Saúde para além do Rio Grande do Sul.
  • Integração com sistemas de prescrição digital e dispositivos médicos de UTI.
  • Maior uso de analytics para medir desfechos clínicos e eficiência.

Conclusão

O Café da Manhã mostrou que a interoperabilidade é uma estratégia de gestão, inovação e cuidado centrado no paciente. Governança robusta, colaboração entre instituições e engajamento clínico são as chaves para transformar a fragmentação atual em um ecossistema mais integrado e eficiente – beneficiando pacientes, hospitais, operadoras e o sistema de saúde como um todo.

Assista ao evento na íntegra:

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