Com o objetivo de proporcionar um atendimento cada vez mais especializado em Dermatologia, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP-RJ) vem ampliando a atuação na área com serviços voltados para as necessidades dos pacientes. A instituição conta agora com três linhas de cuidado especializado: em queda de cabelo, para casos suspeitos de câncer de pele e para tratamento especializado para pessoas com psoríase, buscando diagnósticos precisos e terapias personalizadas. De acordo com o chefe do serviço de Dermatologia do HSVP, Eduardo Falcão, estas iniciativas foram motivadas pela demanda crescente de pacientes com estas queixas específicas. “Percebemos que havia uma necessidade da criação de um fluxo mais personalizado para atender a estes pacientes e promover a recuperação mais eficaz e rápida, com foco na qualidade de vida. A criação de ambulatórios específicos irá ajudar na consolidação das linhas de cuidado para esses pacientes, tornando a jornada dentro do hospital mais completa e assertiva”, justifica.
A diretora técnica do HSVP, Karina Tenan, salienta que a adoção de protocolos assistenciais mais direcionados está em consonância com os princípios institucionais do hospital: “Nossa diretriz é assegurar que o paciente seja permanentemente colocado no centro do cuidado, de modo a potencializar os melhores desfechos clínicos e funcionais. A oferta de abordagens personalizadas, conduzidas por dermatologistas com expertise consolidada em áreas específicas, configura-se como estratégia fundamental para a qualificação contínua da prática médica e para a promoção de resultados sustentáveis em saúde”, afirma.
Psoríase
A dermatologista Cecília Victer é a responsável pelo atendimento a pacientes com psoríase, doença que tem grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. “A população não conhece a respeito e muita gente se afasta de pacientes de psoríase por acreditar que a doença é transmissível. A desinformação causa grande prejuízo, afeta as relações sociais e de trabalho dos pacientes”, aponta a médica.
A psoríase é uma doença imunomediada (causada por uma resposta imune anormal) e não tem cura, mas tem tratamento. “As manifestações cutâneas, com as típicas placas avermelhadas que descamam e provocam coceira são a face conhecida da doença. O que muita gente não sabe é que a psoríase pode afetar o organismo todo, aumentar o risco cardiovascular e pode estar associada a quadros de transtornos de ansiedade e depressão. Alguns pacientes sofrem com a manifestação que afeta as articulações, que é a artrite psoríasica”, explica.
As crises da doença podem ser desencadeadas por fatores como estresse, doenças infecciosas e até pelo uso inadequado de medicamentos, de acordo com a especialista, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A adoção de hábitos saudáveis como o controle do peso corporal e a prática regular de atividade física é parte fundamental do tratamento da psoríase.
Cabelos
Os cabelos também ganharam um atendimento especializado. “O cabelo tem uma importância que vai muito além da estética. Ele reflete nossas emoções e até nosso estado de espírito. Pode revelar um quadro depressivo ou, em outros casos, até mesmo um estilo próprio”, frisa o responsável pelo ambulatório de cabelos do HSVP, Igor Balassiano.
Ele alerta que muitos pacientes não associam a Dermatologia às patologias capilares e acabam buscando profissionais não-médicos, com pouca formação e, muitas vezes, sem capacitação. “Muita gente se deixa levar pelo marketing de mercado e acaba comprando remédios e tônicos ‘milagrosos’, que prometem tudo e não entregam nada”, adverte o especialista.
Dos problemas que mais levam pacientes ao consultório, Balassiano destaca o medo de ficar calvo. “Mas entre as patologias capilares que mais atendemos estão as alopecias androgenéticas, a conhecida calvície, a dermatite seborreica (caspa) e o eflúvio telógeno, condição que causa queda intensa de fios (mais de 100-200 fios por dia)”, informa. Ele completa que nem sempre estas condições poderão ser curadas, mas é importante diagnosticar e conhecer a evolução da doença. “Um profissional poderá avaliar as melhores opções para controlar e melhorar a doença, sabendo que a cura, às vezes, está fora de alcance”, indica o dermatologista.
Câncer de pele
Este ambulatório tem por objetivo agilizar o tratamento de lesões suspeitas e contribuir para reduzir o grau de aflição dos pacientes, além de melhorar a abordagem e os resultados obtidos. “Assim como ocorre em outros tipos de câncer, quanto mais precoce a detecção, melhor o prognóstico”, resume a dermatologista responsável por este atendimento, Monika Neffa. O foco do serviço são suspeitas de câncer, fotodano e as manifestações cutâneas em pacientes oncológicos. “Fotodano é todo prejuízo que a exposição solar indevida e sem proteção pode ocasionar, ao longo dos anos. São lesões que vão desde o espessamento da pele, aparecimento de sardas, melasma, rugas e até queimaduras, além dos tumores de pele, que são resultado de longos períodos de exposição sem a devida proteção”, explica.
As manifestações cutâneas mais comuns são a alteração do aspecto normal da pele com o aparecimento de manchas pigmentadas, desde melanoses solares (benignas) até melanomas, pápulas (bolinhas) com bordos perolados com sangramento ou não, lesões eritematosas descamativas, entre outras manifestações. Há ainda as hipomelanoses, que também são resultado da fotoexposição indevida, aponta Monika.