Café da Manhã | Os desafios na implementação da cultura de segurança

Nesta terça-feira (16), a Anahp promoveu mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, desta vez em parceria com a Nexxto, que oferece soluções tecnológicas e inteligentes que elevam a qualidade dos serviços e a eficiência operacional em saúde. O encontro discutiu o tema “Os desafios na implementação da Cultura de Segurança em hospitais brasileiros” e reuniu:

  • Maria Gabriela Coriolano, coordenadora de Farmácia no Hospital Santa Catarina
  • Ariadine Oliveira, coordenadora de Contas Estratégicas da Quality Global Alliance (QGA) e especialista Qmentum
  • Paula Nunes, gerente nacional de Farmácia das redes Amil e Américas
  • Lucas Albrecht de Almeida, cofundador e CRO da Nexxto (mediação)

Os convidados compartilharam experiências práticas e perspectivas sobre a construção de uma cultura de segurança nas instituições de saúde.

Veja, a seguir, os principais pontos.

Cultura de segurança como prioridade estratégica

É necessário inserir a cultura de segurança como prioridade no planejamento estratégico das instituições.

  • Engajamento da liderança é decisivo para que a segurança deixe de ser discurso isolado e se torne prioridade estratégica em toda a instituição.
  • Cultura justa fortalece o aprendizado organizacional ao permitir análise de erros sem medo de punição.
  • O grande desafio é cascatear esse valor da alta gestão até a linha de frente.

“Entender cultura de segurança como prioridade estratégica talvez seja o grande motor de mudança. E isso precisa estar no planejamento estratégico, senão dificilmente se desdobra no dia a dia” – Ariadine Oliveira

Governança, sustentabilidade e dados

Não há como falar em segurança sem antes assegurar bases sólidas de governança.

  • Gestão sustentável é condição para investir em tecnologia, acreditações e capacitação das equipes.
  • Construção de indicadores confiáveis exige superar a fragmentação e os processos ainda analógicos.
  • Indicadores bem calibrados permitem diferenciar notificações que refletem boa cultura (atenção preventiva) daquelas que revelam falhas graves sem aprendizado.

Eu tenho sempre o pé no chão de saber que o ótimo é inimigo do bom. É melhor começar com dados simples, mas consistentes, do que esperar um sistema perfeito” – Paula Nunes

Casos práticos e tecnologia

Mensuração e o uso estratégico de dados mudam resultados. No Hospital Santa Catarina, a taxa de aderência às intervenções farmacêuticas passou de 70% para 100% após a adoção de processos estruturados, envolvimento do corpo médico e uso de inteligência artificial.

“Começamos de forma manual, mas sempre com envolvimento multidisciplinar. Quando o corpo médico passou a apoiar, a cultura mudou” – Maria Gabriela Coriolano

A acreditação também foi apontada como ferramenta que acelera a maturidade institucional, fornecendo boas práticas e referências para cada etapa do processo.

Engajamento multidisciplinar

A criação de comitês multiprofissionais é um caminho para quebrar silos entre áreas e gerar engajamento real.

  • O engajamento só acontece quando todos participam da construção e têm visibilidade dos dados.
  • A “caneta” do médico tem enorme impacto sobre custos e desfechos, por isso ele precisa estar inserido na equipe multidisciplinar e alinhado aos protocolos clínicos.
  • A cooperação entre farmácia, enfermagem, corpo clínico é estratégica para reduzir glosas e perdas em cadeia.

Riscos, comunicação e reputação

A gestão de eventos adversos se tornou mais sensível em uma era de maior exposição midiática.

  • Fomentar a cultura justa inevitavelmente aumenta as notificações; cabe à alta liderança preparar-se para lidar com mais transparência.
  • A comunicação aberta com o paciente é fator essencial para reduzir judicialização e preservar a reputação institucional.

“Não basta reconhecer o erro; é preciso acolher o paciente e mostrar que a instituição vai transformar aquele aprendizado em ação” – Ariadine Oliveira

O que dizem os especialistas

O Café da Manhã mostrou que a cultura de segurança não se constrói em campanhas pontuais, mas sim como valor estratégico sustentado pela alta liderança, governança sólida, dados confiáveis e engajamento multidisciplinar.

O papel das acreditações, o uso inteligente de tecnologia e a comunicação transparente completam o conjunto de fatores que podem transformar a segurança em prática diária — beneficiando pacientes, equipes e instituições.

Assista aqui ao evento na íntegra:

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